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erada da existência. Ou seja, a importância
que temos na vida dos outros e a importância
que os outros têm na nossa vida acabam se
constituindo em fatores que a protegem de
nós mesmos em momentos de tristeza. Isto
quer dizer que uma inscrição pobremente
consolidada no mundo social indica maior
chance de vida ruim.
Exemplos não faltam. Pensemos nos nos-
sos. Durkheim tem os dele. Que são do final
do século XIX. Muitos continuam atualíssi-
mos. Um indivíduo casado tende a se suicid-
ar menos do que um solteiro. Não porque o
matrimônio não entristeça nunca. Alguns
são verdadeira usina de tristeza. Só que na
hora de puxar o gatilho, esse vínculo protege
a vida. Ao menos na estatística.
O casado com filhos insistirá ainda mais
em continuar vivendo. Menos propenso a li-
quidar a própria vida. E esta propensão di-
minui ainda mais no caso de filhos
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pequenos. Com vínculos acentuados pela de-
pendência econômica. Ainda que possa estar
tanto ou mais triste que solteirões sem filhos.
Da mesma forma, irmãos com os quais
haja alguma convivência parecem também
segurar a onda.
Outro gancho significativo de vínculos so-
ciais é a vida profissional. Assim, a relação
com parceiros, com adversários, com subal-
ternos, bem como a participação em univer-
sos de cooperação ou de competição também
são protetivos da vida. Portanto, não é tão
grave perder. Mesmo derrotas humilhantes.
Desde que continuemos jogando. In-
suportável é não poder jogar mais. Ou nunca
ter jogado. É a exclusão. Porque essa fragil-
iza os laços.
Lembra-se, caro leitor, da discussão ap-
resentada no capítulo 3, sobre a suposta id-
ade certa para uma vida boa? Pois bem. In-
diretamente, aqui podemos acrescentar var-
iáveis ao tema. Afinal, existem idades mais
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propícias para sólidos vínculos sociais. Como
no auge da vida produtiva. Em contra-
partida, existem pontos cegos na existência
profissional. Como na transição entre a uni-
versidade e o trabalho. Que pode ser longa.
Neste momento da vida, não somos mais
estudantes e não somos ainda profissionais.
Limbo, diriam alguns. Quando só temos ex-
colegas e futuros colegas. Porque os que se
encontram na nossa situação estão disper-
sos. Não constituem tribo. Tribo dos que não
são nada. Essa falta de vínculos sociais cor-
responde a uma fragilidade identitária. Por
não termos muito o que dizer sobre nós ,
acabamos não tendo também para quem
dizer. E isso é super desagradável. A so-
ciedade cobra de nós, a cada encontro, al-
guma autoapresentação. E, por isso, somos
constrangidos, o tempo todo, a assumir uma
indefinição existencial.
Tudo isto porque na hora de dizer quem
somos, nossa atividade laboral é ponto-
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chave. Quando trabalhamos, em poucos se-
gundos anunciamos a instituição, o que
fazemos lá, há quanto tempo etc. E quando
não trabalhamos, sentimos a necessidade de
prestar um esclarecimento. Dar satisfação,
como se diz. Ninguém sai ileso desta lacuna.
A sociedade cobra, através de seus agentes,
porque precisa destas informações. A vida
em sociedade pressupõe a possibilidade de
pronta identificação. E os critérios para tal
são sociais. Não os que você gostaria que
fosse. E o trabalho é um deles.
De todos esses fatos resulta que a taxa so-
cial dos suicídios só se possa explicar de
forma sociológica. É a constituição moral
da sociedade que fixa a todo momento o
contingente de mortos voluntários. Existe
portanto, para cada povo, uma energia
determinada que leva os homens a se
matarem. Os movimentos que o paciente
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executa e que à primeira vista parecem
representar exclusivamente o seu tem-
peramento pessoal constituem, na realid-
ade, o prolongamento de um estado social
que manifestam exteriormente
(DURKHEIM. O suicídio).
Querido leitor. Cabe aqui uma advertên-
cia. Essas conclusões propostas por
Durkheim resultam da análise de dados
quantitativos. De sociedades do seu tempo.
Não autorizam inferências sobre casos par-
ticulares. Porque nada impede que você seja
ponto fora da curva. Casado, tenha filhos,
que dependam economicamente de você,
tenha pais vivos, sogros sempre por perto,
trabalhe na firma com um monte de gente,
frequente a igreja todos os domingos, jogue
bola no clube com seus amigos de sempre
enfim, tenha múltiplos e sólidos laços sociais
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e ainda assim, num instante qualquer da
vida, decida extingui-la sem mais.
Sociedade e alinhamento
A sociedade cobra alinhamento. E tem re-
cursos para se impor. Porque alegra e
entristece. Pode, por intermédio de seus
agentes, fazer da nossa vida um inferno. Por
isso, costuma levar vantagem contra even-
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