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ras, a imperiosa alegria de comandar o mundo, de reconstruir
os seres do mundo no mximo de sua grandeza. Uma espcie
de jbilo direto, sem causa consciente, inteiramente psquica
que propriamente a beleza psicológica -, acompanha
os valores puramente estticos da gravura. Teremos nume-
rosos testemunhos desse jbilo na presente coletnea, se se-
guirmos o gravador desde seus gestos primitivos at sua
tomada de posse do mundo.
Em resumo, a paisagem do gravador um ato. um
ato longamente meditado, um ato concludo com lenta ener-
gia sobre a dura matria metlica. Mas, por um insigne
paradoxo, essa lentido ativa nos desvela a inspirao de
foras rpidas. Assim, o gravador nos incita a agir, a agir
depressa. Ele nos revela o poder da imaginao dinmica, da
imaginao das foras. Uma paisagem gravada uma lio de
poder que nos introduz no reino do movimento e das foras.
A plancie fugidia um movimento de fuga que,
sob suas paralelas amontoadas, varre, dissolve o horizonte.
Assim acaba o mundo: uma linha, um cu, nada. Ao longe,
a terra no trabalha. Tudo ento se aniquila.
Mas eis o tabuleiro dos campos cultivados, os sulcos
civilizados dos proprietrios, as propriedades violentadas de
todos esses ladres de terra, as demarcaes, os limites, os
fossos. O gravador, como um lavrador, poe-se a trabalhar
4 !)t
em cada cerrado. Goza a comunho da. ferramentas : o
arado no o buril da gleba'(
Para exprimir a diversidade dos campos, o pintor teria
necessidade da cor das searas : encheria os primeiros planos
com os feixes vermelhos e rosas do enrgico sanfeno, com
um amarelo de colza esquecido nos trigos. A cor distrai, re-
veste, floresce. A cor embalsama. Mas com ela deixamos a
terra. A cor no trabalha. A cor no tem vontade.
O gravador nos conta seu trabalho, sua lavra, sua to
próxima vontade. O buril nos devolve matria firme. Sim,
o cobre um solo.
Mas todo trabalhador sonha cosmicamente : o gravador ^
da plancie vai ao encontro de um grande sonho de trabalho is
da terra. Sob esse trabalho monótono e duro, eis, com efeito, ^ '
que o campo se torna ventre, seio, torso, corpo. A gleba se ei ?
infla, a gleba assume o relevo de uma forma cortejada. *"*
Flocon consegue, s mil maravilhas, destacar as formas $ ^
dessa transformao. Com linhas produz massas, com a pia- "7 ?:
nura estendida faz uma mulher deitada. 0 sincretismo do i? ._'.
trabalho e do amor est aqui manifesto. ^ .'-
Esta prancha , portanto, um verdadeiro Rorschach js "
para a psicanlise dos instintos de propriedade. Nestas duas g
grandes praias ela suscita a ambivalncia da posse : a terra
ou a mulher? Ou antes : a terra e a mulher. Os grandes so-
nhadores no escolhem.
II
As lendas poticas gostam de recontar que Afrodite
nasceu da espuma das ondas : brancura e rendas bastam ao
poeta para fazer uma mulher. O pintor evocaria antes
Nausicaa. Para ele, o mar uma mulher quando uma vir-
gem nele se banha. Ele seduzido pela luz duplicada dos
reflexos e se encanta com as formas efmeras. 0 gravador,
dissemos, consagra-se ao movimento. Aqui est uma prova.
A mulher que nasce das ondas uma vaga primitiva. um
torso que surge de um movimento oprimido, opressor, a
própria respirao da vaga atormentada, o peito das guas
62 O OlRBlTO DE SONHAR
cheias de paixo. Ento a mulher , verdadeiramente, irre-
sistvel onda das profundezas,
Se no participas da energia volumtrica do desenho
das guas, desse humano crescimento das foras do mar, a
forma gravada por Flocon poder nada mais ser do que
uma forma abandonada em algum pantanal. Vers apenas
o infinito das lonjuras, a paz longnqua, sempre longnqua.
dos horizontes marinhos. Ters perdido a grande dialtica
dos mares : a calma para os olhos acomodados ao infinito
e sempre a tempestade uma tempestade medida do
homem, se for preciso mesmo medida de uma mo de
criana, na angra to próxima; aqui, na onda que morre
a teus ps, que o movimento realidade primeira. aqui
que o movimento das guas desperta tuas foras provocado-
ras, te chama para todas as provocaes.
Ento como a vaga mais próxima no se intumesceria ?
Como o mar guardaria uma planura de espelho? Eis aqui
pernas, seios e colo que se inflam para ti, que rolam em
tua direo.
A paisagem marinha revelada pela gravura uma pai-
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